As comunidades de software livre comumente se identificam como globais, como sendo compostas por pessoas distribuídas por todo o mundo. A ideia difundida é que a participação nestes grupos é aberta a todas e que o local de residência das colaboradoras não é relevante. Neste contexto, esta dissertação busca problematizar o discurso do global destas comunidades por meio de um estudo de caso do software livre WordPress, inspirada pela desconstrução da ideia de uma ciência universal, defendida por autores dos Estudos CTS (Ciências-Tecnologias-Sociedades). Para isso, são apresentados um histórico do software, como o seu desenvolvimento é organizado, a distribuição das contribuições ao repositório de código por indivíduo e um levantamento do país de residência e do idioma falado pelas desenvolvedoras. Os resultados mostram que, pelo menos no que diz respeito às pessoas que estão construindo o software, existe uma concentração grande em poucos países, especialmente nos Estados Unidos e em outros países de língua inglesa, o que coloca em questão o discurso do global presente nas comunidades de software livre.